terça-feira, fevereiro 10, 2009

Novas vanguardas russas: os vídeos de PROVMYZA
14/02 - 20h - Cine Humberto Mauro - Palácio das Artes
Belo Horizonte - MG
ENTRADA FRANCA


quinta-feira, dezembro 18, 2008

Intimidade Partilhada

O Imagem Pensamento apresentou nos dias 13 e 14 de dezembro a mostra “Intimidade Partilhada”, com alguns trabalhos de Carlos Nader. Nader participou da sessão do dia 13, debatendo com o público o seu documentário mais recente, “Pan-cinema permanente” (2008), sobre o poeta baiano Waly Salomão.

O diretor contou que a idéia de fazer o filme surgiu junto com o Waly, em meados dos anos 1990. “A idéia era fazer um filme para o grande circuito com uma câmera pequena”, contou. Segundo Nader, as câmeras menores e com mais qualidade surgidas no período possibilitaram uma nova forma de fazer audiovisual. “A tecnologia, reduzindo a câmera, deu de presente para os artistas a possibilidade de produzir uma arte menos mediada”, disse. “Toda arte é mediada, seja pela caneta que possibilita o trabalho do escritor ou o pincel que media o do pintor: sempre há uma tecnologia para realizar o trabalho poético, apesar da redundância do termo trabalho poético”. Para Nader, câmeras menores diminuem o tamanho da equipe, o que faz com que o diretor possa ter uma relação mais direta com o que filma, permitindo que o próprio processo de fazer o filme seja o mais valorizado. “O poema ou um quadro às vezes se revela para você. Aquilo tem uma vida própria e você tem um diálogo com aquilo”, disse.

Waly Salomão

O tema central da fala de Carlos Nader foi o filme sobre o poeta Waly Salomão. “O filme se chama Pan-cinema Permanente por causa de um poema homônimo que ele dedicou pra mim, depois de uma longa caminhada pelo Leblon, na qual falamos das novas possibilidades do cinema, com as pequenas câmeras de gravação que apareceram naquela época, como o Hi-8. A gente se falava todos os dias. É estranho dizer isso, mas o Waly era um bom ouvinte”, lembrou. “Esse filme é um instrumento para divulgar a poesia dele”. Sobre os entrevistados, Nader explicou que a entrada daqueles que aparecem no filme foi uma escolha estética. “Entrevistei umas 20 pessoas, mas usei umas 6 ou 7. Eu só deixei gente com quem eu tinha intimidade e por causa de uma musicalidade”, explicou. “As outras vozes destoaram e o filme foi para um outro caminho”.

Nader também destacou que Pan-cinema não é apenas um filme sobre o Waly. “É um filme com ele, co-dirigido com ele, co-tudo”, disse. “A coisa mais importante do filme é mostrar como o Waly via o mundo. E como eu sou diferente dele, isso ajuda a traduzir essa intensidade que é o Waly”.

A mostra

Além de Pan-cinema Permanente, outros três vídeos foram exibidos. No sábado, junto com o documentário sobre Salomão, foi exibido ainda o vídeo “Carlos Nader” (1998). “O curador às vezes estabelece conexões que a gente não faz. Foi muito interessante ver esses dois trabalhos juntos”, disse Nader. “O Waly não gostava muito desse vídeo, por exemplo, o achava muito subjetivo, além dele aparecer pouco”.

No domingo foram exibidos dois documentários realizados por Nader nos anos 1990, “O beijoqueiro” (1992) e “O fim da viagem” (1996). “São trabalhos bem diferentes do Pan-cinema”, disse Nader. Esses trabalhos, pouco exibidos em Belo Horizonte, são extremamente representativos dentro do que se convencionou chamar documentário contemporâneo. Ausência de narração em off, explicitação do dispositivo e imersão do diretor no ambiente das personagens são algumas das características marcantes dos vídeos.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Intimidade Partilhada: os vídeos de Carlos Nader
13 de dezembro - 19h30 e 14 de dezembro - 20h
Cine Humberto Mauro - Palácio das Artes - BH/MG






terça-feira, novembro 11, 2008

CORPIMAGEM: campo, agenda, ações, vídeo e dança

O projeto Imagem Pensamento retomou suas atividades com a mostra CORPIMAGEM, exibida no dia 08 de novembro no Cine Humberto Mauro do Palácio das Artes. Os nove trabalhos que compuseram a exibição foram comentados pela professora da PUC-SP e crítica de dança Helena Katz. Confira, abaixo, um resumo do que foi debatido.

Um campo e sua agenda de ações
Para analisar a mostra, Katz trouxe o conceito de campo político, desenvolvido pelo filósofo Francisco de Oliveira. Segundo a pesquisadora, nas artes existe uma discussão a respeito da delimitação de campos (pintura, vídeo, escultura, etc.). “Um campo está montado quando existe uma agenda de ações”, diz Katz. Ela entende que existe uma agenda de ações quando a imagem é o corpo. “Quando a gente identifica essa agenda, quem a propõe coloca todo mundo em relação em torno dela”, prossegue a pesquisadora. “É em torno dessa agenda que o campo irá se mover”.

Os vídeos e seus tempos
Segundo Katz, os trabalhos exibidos na mostra CORPIMAGEM fazem parte de um recorte histórico bem amplo. Esse percurso grande, segundo ela, demonstra como cada vídeo carrega em si os entendimentos de cada um desses tempos. Sobre essa questão, Katz traçou algumas linhas que, para ela, facilitaram o entendimento de quais ações agendariam o campo ali proposto.

Língua própria
“É a imagem se constituindo com uma língua própria”

Proximidade
“Existe a questão da Proximidade, quando a imagem se aproxima do corpo: o que interessa quando a imagem vai fazer a língua de um corpo?”

Paisagem
“Outra ação é o corpo como Paisagem, a imagem que se sobrepõe e o corpo que é e está na paisagem.”

Acumulação
“A repetição de movimentos, a partilha e acumulação de partes. É uma idéia trabalhada nos últimos 10, 15 anos”

Extensões
“O corpo como extensão. Que extensão o corpo pode ser? Continuidade de um outro corpo?”

Edição
“Trabalhos independentes daquilo que contam, o que sobrepõe é a edição, o trabalho se apresenta pela edição e não o que a edição está editando”

Deslocamento
“Não é para desestabilizar, apenas deslocar”

Segundo Katz, esses sete temas que ela propõe como agenda são ações que normatizam um campo.

Percepção

De acordo com Helena Katz, as tensões entre corpo e imagem estão sempre cercadas pela percepção. “A percepção não é uma coisa que nos acontece”, diz Katz. “A percepção é algo que o nosso corpo faz dentro do que ele pode fazer”. Para ela, essa limitação que todos possuem é que faz com que recortemos o mundo. O mundo é um pedaço possível, pois existe uma limitação que é cultural e também uma que é biológica. “Essas limitações são as ações que me fazem inventar o mundo”, diz. “É pelo diznso que a gente vê como o mundo é inventado”

Vídeo-dança
Respondendo a uma pergunta da platéia, Helena Katz falou sobre qual campo se constitui hoje na relação entre o corpo e a imagem. “Existe o desejo de constituir um campo de trabalhos de dança feitos para o vídeo, a vídeo-dança”, diz. “É um campo bem próximo da dança contemporânea, onde a imagem é centrada na materialidade do corpo”.

terça-feira, novembro 04, 2008

Mostra CORPIMAGEM - 08/11 - 20h - Cine Humberto Mauro