quinta-feira, setembro 13, 2007


Interseções – Documentário, Arte Contemporânea e Vídeo
Por Alevi Ferreira
O projeto Imagem Pensamento apresenta, nos dias 29 e 30 de setembro, às 20h, a mostra “Interseções – Documentário, Arte Contemporânea e Vídeo”. No primeiro dia, serão exibidos os vídeos “Muxima”, de Alfredo Jaar e “White Balance (to think is to forget differences)”, de François Bucher. Após a exibição, acontecerá a mesa-redonda “Interseções: documentário e arte contemporânea”, com a participação de Consuelo Lins, Cezar Migliorin e Paula Alzugaray. No dia 30 de setembro, o Imagem Pensamento exibirá “Leituras”, de Consuelo Lins; “If every girl had a diary”, de Sadie Bening; “Sea in the blood”, de Richard Fung, “NYC weights and measures”, de Jem Cohen, “I think it would be better if I could weep – operator #17”, de The Atlas Group. Após a sessão, acontecerá o debate “Outros documentos”, com as diretoras Patrícia Moran e Clarisse Alvarenga. O Imagem Pensamento acontece sempre com ENTRADA FRANCA no Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes.

Imagem: Video Data Bank

“Sea in the blood”, de Richard Fung

quinta-feira, agosto 30, 2007

Suspensão – Tempo, Paisagem, Performance, TV: Vídeo
Por Alevi Ferreira
A mostra “Suspensão – Tempo, Paisagem, Performance, TV: Vídeo”, apresentada dia 25 de agosto no Cine Humberto Mauro contou com os comentários do professor do curso de Arquitetura da UFMG e crítico de arte Stéphane Huchet. O professor abriu o debate com um comentário a respeito de cada um dos vídeos exibidos. Sobre a obra de Antonio Muntadas “Video is television?” (1989), Huchet disse que o vídeo apresenta o conjunto de discursos sociológicos produzidos à época (1989). “Além disso, o vídeo de Muntadas é um fluxo eclético onde todas as imagens se equivalem”, diz. Para ele, Muntadas demonstra que essa equivalência faz com que as imagens sejam meras mercadorias. Para Huchet, essas imagens, mesmo tornadas mercadorias, ainda sim são imagens: guardam uma potência que pode escapar ao discurso redutor imposto pela mídia.

Em “The Fall”(2004), de Mel O’Callaghan, vídeo que abriu a mostra, Huchet destacou a poética da imagem, o artifício que transforma a imagem em vegetação. “É o sublime e o grotesco, como no romantismo”, disse.

Para Stéphane Huchet, o vídeo de Gabriela Golder, “Vacio”(2005), foi o mais tocante. “É o trabalho mais silencioso, o mais lento, o mais suspenso e o que nos diz mais coisas”, diz. Para ele, o vídeo trabalha com uma noção de tempo pré-moderna, remetendo a uma temporalidade mitológica. Além disso, Huchet ressaltou a questão do olhar no vídeo. “Aquilo que nos olha nesse vídeo é de uma força assustadora”, diz, lembrando Georges Didi-Huberman em “O que vemos, o que nos olha”. “Demonstra a fascinação do olhar do animal, capaz de manifestar o vazio”.

Sobre o vídeo de Dima El-Horr, “9 Years Later” (2004), Huchet ressaltou a força das construções gráficas da obra. Para ele, a verticalidade das árvores a horizontalidade da paisagem permitem uma fuga icônica e formam uma beleza musical.

Para Huchet, “Eu desisto”(2004), de Roberto Bellini, apresenta o toque lírico da relação entre o desenho e o cinema, além de mostrar, de forma acentuada, o universo pictórico pronunciado. Sobre “Pure Reality”(2001), de Gert Hatsukov, Huchet discordou da exibição legendada da obra, que é um vídeo sem imagens, mas com áudio. Para Huchet, entender o que se fala serve apenas para uma função ilustrativa que não interessa para a fruição da obra. “Não precisa de legenda”, disse. “Quando a voz vira texto, muda a relação”. Esse também foi o ponto destacado no trabalho de Mona Hatoum, “Measures of Distance”(1988).

A respeito de “I'm Not The Girl Who Misses Much” (1986), de Pipilotti Rist, Huchet fez alguns apontamentos a respeito da velocidade do vídeo, como um “palimpsesto generalizado”, fazendo com que ocorra um ajuste na temporalidade. Sobre a imagem, um borrão que não permite distinguir os traços da artista, Huchet destacou a questão da figuralibidade. “Como as imagens surgem em nós?”, perguntou. “No vídeo, vemos a impossibilidade de uma figura se firmar”. Para Eduardo de Jesus, que fez a mediação do debate, tanto a repetição da voz quanto da imagem são uma estratégia da artista também para subverter a lógica da repetição imposta pela música pop. “O vídeo parece um videoclipe falido, que não cumpre a lógica imposta pela indústria pop”, disse.

Além das observações de Stéphane Huchet, várias pessoas na platéia fizeram perguntas e teceram comentários sobre os vídeos exibidos principalmente sobre a forma como viabilizam processos de suspensão em torno da imagem e do olhar, que por vezes, como no trabalho de Golder, acentuam o vazio.

quinta-feira, agosto 02, 2007

Imagem Pensamento volta em agosto

Após o recesso do mês de julho, o Imagem Pensamento retoma as atividades no mês de agosto com a mostra “Suspensão”, com obras de diversos artistas. A mostra acontecerá no dia 25 de agosto no Cine Humberto Mauro no Palácio das Artes. Em breve, mais informações sobre a mostra.
Mostra Patrícia Moran
O Imagem Pensamento apresentou no mês de junho a mostra “Olhares Inesperados”, com trabalhos da diretora mineira Patrícia Moran. Com curadoria de Eduardo de Jesus e Alevi Ferreira, foram exibidos sete trabalhos, entre documentários, videoclipes e filmes de ficção. A escolha das obras foi orientada por uma característica em comum encontrada nos filmes: um olhar direcionado para a margem, oferecendo imagens e narrativas inesperadas sobre personagens e cenários que não freqüentam o centro da mídia.

Em seus documentários, por exemplo, Patrícia opta por uma construção da memória com lacunas, onde as falhas, os esquecimentos são elementos tão importantes quanto as lembranças. Trabalhar nessa linha tênue, sem estabelecer uma dicotomia e uma conseqüente hierarquização de informações, demonstra bem como um documentário pode se libertar das amarras da verdade e dar a ver aquilo que a lembrança pode ou não trazer à tona. Intencionalmente ou não, Moran problematiza diversas questões que são caras ao documentário. De forma mais aguda, ela faz isso no filme “Plano-Sequência”, ficção que documenta a vida e a obra do ator Rubs, interpretado por Paulo César Peréio. Em contraposição a uma construção típica do jornalismo, a diretora opõe todo o cinismo de Rubs, que questiona tudo aquilo que é dito sobre ele.

A respeito de sua obra e de seus métodos de filmagem, o Imagem Pensamento realizou uma entrevista com a diretora, disponível em
www.imagempensamento.art.br

terça-feira, maio 22, 2007

Spirall Jetty via satélite

Clique aqui para ver a obra de Robert Smithson no Google Maps.