segunda-feira, março 16, 2009

Documentário Expandido

A dupla Mauricio Dias e Walter Riedweg exibiu parte de sua vasta obra na mostra “Documentário Expandido: vídeos e instalações de Dias e Riedweg”. Os artistas dividiram a apresentação em três partes: na primeira foram exibidos fragmentos de cinco instalações, depois eles apresentaram e comentaram a documentação de algumas de suas instalações e no final eles leram o texto “Interterritorialidade” (leia aqui), que trata conceitualmente o trabalho da dupla.

Foram exibidos fragmentos dos vídeos que compoõem as instalações “Raimundos Severinos e Franciscos” (1998), “Funk Staden” (2007), “Do Universo do Baile” (2008), “Mama” (2000) e “Paraíso Cansado” (2009). Após a exibição desses trabalhos, os artistas explicaram como foi o processo de criação e de exibição de cada uma dessas obras.

Artistas durante a leitura do texto

A dupla também comentou e apresentou outras instalações. De “Voracidade Máxima”, trabalho realizado com garotos de programa em Barcelona, eles exibiram duas das onze entrevistas que fazem parte da instalação. Da primeira obra que eles realizaram, “Devotionalia”, eles mostraram documentação da exposição e explicaram todo o processo de criação. “Throw” e “Meu Nome na Tua Boca” foram exibidos enquanto os artistas conversavam com o público.



Matéria publicada no jornal Estado de Minas


INTERTERRITORIALIDADE*
Por Dias & Riedweg

Quase todos nos interessamos por tudo aquilo que não é nosso, por aquilo que não somos, por aquilo que não temos, que não tocamos, às vezes por aquilo que não entendemos ou nem mesmo sabemos. Nem sempre sabemos aquilo que queremos e ainda assim queremos. Nos interessamos pelo Outro porque no fundo cremos que só será no Outro que poderemos nos encontrar e o outro está sempre muito perto, logo ali onde nós terminamos.

Nossa pratica artística e nosso cotidiano, divididos a 15 anos, se desenvolve neste exato território entre Cada Um e o Outro – o desconhecido território do desejo e do medo, do mundo à navegar, à descobrir. Talvez por isso nos interessemos igualmente pelo documentário e pela ficção.

Toda imagem, em sua base, não pertence ao território do Documentário nem ao da Ficção. O que a fará pertencer a um ou outro território será a literatura que nela se apoiará, seja ela de ordem real ou fictícia. Toda imagem pode conter uma informação literária e servir de construção para uma mensagem. Ela independe à verdade, à mentira, à realidade e à representação para ser inteligível, para existir. Não há portanto nada de tão preciso, definido, que diferencie estes dois territórios, o da ficção e o do documentário, na base da criação de uma imagem. Toda imagem é portanto per se algo interterritorial.

E é justamente nesta interterritorialidade, neste espaço indefinido mas existente entre dois territórios distintos, que se torna possível criar um campo erótico-poético onde ação e representação, bem como interação ou intervenção, se misturam, produzindo assim uma certa libertação das categorias artísticas estabelecidas no modernismo e possibilitando novas experiências, novas práticas artísticas.

No trabalho com vídeo e filme, por exemplo, a construção de seqüências de imagem em movimento pode estabelecer diferentes e múltiplas percepções do tempo e do espaço, seja ele real ou imaginário, pouco importa. A mesma situação, a mesma cena, seja ela de ordem documentaria ou fictícia, se filmada por diversas câmeras ao mesmo tempo, a partir de diversos pontos de vista, poderá assim produzir uma seqüência de imagens de caráter múltiplo, complexo e assim reconstituir o princípio de “multiplicidade”, largamente aplicado na física, também na prática artística. Esta mesma multiplicidade de imagens de uma mesma situação pode subverter o próprio discurso do “real”.

Da mesma forma que o uso de mais de uma câmera pode diversificar os pontos de vista sobre um contexto, o uso de mais de uma intenção, mais de uma percepção, mais de uma voz criativa, pode também diversificar a ação e a representação na experiência prática da arte. Aí baseamos a possibilidade de uma arte dialógica, tão interessada na interação com quanto na representação da realidade.

Trabalhamos em projetos de arte tanto em espaço público como em eventos artísticos. As questões abordadas num projeto participativo desenvolvido na rua, numa favela ou ainda num centro de refugiados políticos são naturalmente diferentes das abordadas num projeto desenvolvido num museu ou numa bienal. Consideramos importante operar em ambos os territórios e sempre que possível conectá-los, desafiando seus próprios limites e objetivos primeiros. As reflexões e diálogos desenvolvidos em cada experiência artística, se expandidos para além dos territórios e fronteiras de sua realidade e de sua representação, permitem a expansão da percepção e consequentemente, da arte contemporânea e da própria realidade.

Toda prática artística é em si um exercício de alteridade. O que diferencia a arte das outras formas de alteridade é que ela se utiliza do território da representação para sua inserção no mundo. Mas a representação, se vista com uma possível ressonância, é também uma mera ferramenta da alteridade. Hoje, mais que nunca, arte é não saber o que dizer, mas é saber onde fazê-lo ser dito.

* Texto apresentado por Maurício Dias & Walter Riedweg na mostra Documentário Expandido: vídeos e instalações de Dias & Riedweg realizada no dia 14 de março de 2009 pelo projeto Imagem Pensamento.

quarta-feira, março 11, 2009

Documentário expandido: vídeos e instalações de Dias & Riedweg

Exibição comentada seguida de debate com os artistas Maurício Dias & Walter Riedweg

14 de março – 20h
Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes
Av. Afonso Pena, 1537 – Centro – BH – MG
Ingressos podem ser retirados 30 minutos antes do início da sessão.
ENTRADA FRANCA



segunda-feira, março 02, 2009

Maurício Dias e Walter Riedweg no Imagem Pensamento

O Imagem Pensamento apresenta em março um programa especial com os trabalhos da dupla Maurício Dias e Walter Riedweg. A dupla estará em Belo Horizonte e comentará seus trabalhos que foram exibidos em alguns dos mais importantes eventos de arte do mundo, como a Documenta de Kassel e as bienais de São Paulo e Veneza. Os trabalhos da dupla falam das relações entre as pessoas e as imagens jogam com a dicotomia entre o documentário e o ficcional: há a documentação das coisas reais, das realidades, dos modos de viver, mas também a reinvenção dessas formas.

A mostra “Documentário expandido: vídeos e instalações de Dias & Riedweg” será no dia 14/03, às 20h, no Cine Humberto Mauro no Palácio das Artes. A entrada é franca. Contamos com a sua presença!

Segue abaixo uma pequena seleção de links, com entrevistas com os artistas e textos teóricos sobre a obra deles.

Em breve, mais informações sobre a mostra!

LINKS

Entrevista concedida pelos artistas à DW-WORLD sobre a exposição na Documenta 12 de Kassel.
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,2580616,00.html

“Encontros com o outro: entrevista de Maurício Dias e Walter Riedweg”, realizada por Glória Ferreira para a revista do Instituto de Arte da UERJ Concinnitas Virtual. (disponível para download)
http://www.concinnitas.uerj.br/resumos4/ferreira.htm

Artigo “O documentário expandido de Mauricio Dias e Walter Riedweg”, escrito por Consuelo Lins, professora e pesquisadora da Escola de Comunicação da UFRJ.
http://www.pos.eco.ufrj.br/docentes/publicacoes/clins_4.pdf

Edição do FF>>Dossier das Associação Cultural Videobrasil dedicada à dupla Dias & Riedweg.
http://www.sescsp.org.br/sesc/videobrasil/site/dossier028/apresenta.asp